sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O vídeo lindo mais triste dos últimos tempos. No mundo mais triste de todos os tempos.

Esta era a chamada para o vídeo que apareceu na minha timeline ontem.


Se trata da música "All Washed Out", da banda californiana Edward Sharpe and the Magnetic Zeros, banda que eu nunca tinha ouvido falar até então.

Já era madrugada, eu não estava com vontade de assistir a um vídeo, mas dei play na música por se tratar de postagem de uma amiga do Facebook que (considero) tem bom gosto musical.
A partir daqui, leitor, já pode apertar o play e assistir:



Li aqui que a moça que aparece no vídeo, Sophia Glaser, co-dirigiu e interpretou o vídeo, mas não teve tempo de enviar à banda para um concurso pois morreu enquanto dormia devido a uma hemorragia cerebral. Ela tinha 22 anos. 

Não conheci Sophia, nem conhecia a banda e também não conheci Kaique, um garoto negro, gay que tinha um emprego e 16 anos. Tinha um vida. Que teve um fim brutal por causa das duas primeiras características citadas: a cor de sua pele e sua sexualidade. Duas coisas que, me pergunto, what the fuck têm a ver com a vida de outras pessoas? A matéria que eu li descreve o que aconteceu (ele teve os dentes arrancados, uma barra de ferro atravessou sua perna e foi jogado de um viaduto) e o registro de "suícidio" dado pela polícia.

"Em 2012 (...) 338 pessoas foram assassinadas por serem gays, lésbicas, travestis 
ou transexuais no Brasil, 27% mais que no ano anterior, que registrou 266 homicídios
 homo/lesbo/transfóbicos, 317% mais que em 2005, quando o Grupo Gay da Bahia
 contabilizou 81 casos. E esses números são apenas o pouco que sabemos, porque
 o Estado não investiga."

Outro texto escrito por Jean Wyllys informam estes números e questiona: de quantos mortos o Brasil precisa?

Eu estava no meio de outro post quando me peguei chocada por estas notícias e muitas outras que devem existir mas que eu desconheço porque parei de ler jornais. Parei porque nenhum jornal mostra os Kaiques do mundo e sim um monte de tragédias e escândalos e nenhuma forma de mudar o mundo.

Sabe, a vida é fragil. Seja para Sophia, estudante branca de NY, para negros, para ricos, para os gays de SP e qualquer outro lugar no mundo, para mim ou para você. E ainda tem gente trazendo ainda mais ódio para um mundo que não anda nada bem. 

O que é preciso?


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