domingo, 5 de dezembro de 2010

it's too late baby

"É tão estranho, os bons morrem jovens..."



Morte é coisa que sempre me perturba de um modo que mesmo que eu nem conheça a pessoa, ou não seja tão próxima fico muito tempo pensando. Vejo fotos, relembro fatos, imagino situações, enfim. Só perdi alguém realmente próximo uma vez e foi um dos piores momentos da minha vida. Eu me lembro perfeitamente do dia, assim que fiquei sabendo eu só peguei a mochila e fui chorando pra rodoviária. Sem conseguir pensar direito peguei o ônibus errado e gastei mais de 4h em uma viagem que deveria durar 2h mas por algum motivo eu senti que devia ir, me despedir ou sei la o que. Quando eu cheguei já era tarde, mas não importa a hora que eu chegasse, seria tarde do mesmo jeito. Aí eu percebi que nada daquilo fazia sentido: faltar trabalho, ir pra uma cidade onde eu não conhecia ninguém, não avisar ninguém da minha família. Pra que? Eu só lembrava de ter um amigo que precisava de mim mas eu não peguei o ônibus a tempo. Eu devia ter pegado o ônibus quando ele estava vivo, triste e precisando de alguém. Eu não sei se alguma coisa teria sido diferente. Não sei em que acredito ou não. Só estou tentando aprender que as coisas mudam de uma hora pra outra e de repente pode ser tarde demais pra fazer o que é preciso, ou dizer alguma coisa importante a alguém. E é de repente que aquela pessoa que você achava que nada de ruim deveria acontecer com ela e merecia que você saísse de casa a qualquer hora só pra ter aquele abraço, o sorriso mais lindo e sincero, enfim, a melhor do mundo, passa a existir só dentro de você. E aí é tarde demais.

Mas, no fundo, eu gosto de pensar assim ó:

"Gosto de pensar que quem já morreu fica num lugar quentinho, que a gente não vê, cuidando de quem ainda não morreu. E se você quiser agradar a essa pessoa, é só fazer coisas que ela gostava. Aí ela fica ainda mais quentinha e cuida ainda melhor da gente." (Caio Fernando Abreu)
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